Enfim, o fim.
O fim da estética, assassinada pela liberdade.
As cinturas,
assassinadas pelas calças de cintura baixa. A liberdade das cinturas matou as
cinturas. Pneus horríveis assolam as meninas, barrigas obscenas nos agridem,
enquanto começos de bundas, os famosos cofrinhos, nos assaltam a cada abaixada.
Eu vivo
assolado por bundas. Grandes, soltas, rebolantes e saltitantes, antes
empinadinhas, hoje agressivas.
Ora, bundas,
as queremos, sim, mas insinuantes, dançantes em vestidos esvoaçantes, não presas
em calças jeans sem desenho, mordidas dentro de pedaços de brins que as colocam
sufocantes, querendo sair dos seus limites, nunca desejosas mas sempre sem forma
definida... Aonde andarão as bundas de outrora, pensei eu com meus ziperes.
Teriam sido seqüestradas ? Migraram para a zona do euro ?
E como pensei
em zona, fui matar a saudade do velho e bom centro de São Paulo, em meio às
putas, essas sim sabendo como exibir-sem-mostrar suas bundas.
Quem diria...
as putas, as ditas vagabundas (mas que ralam muito mais que muita menininha por
aí), protegem mais suas bundas. As meninas da classe C emergente, ou a classe
média detergente, prendem suas bundas em calças sem design, C&A, Marisa, e
outras escolas sem escol, meninas sem cintura, sem jogo de cintura, perdidas em
meio às tinturas, credo, que tortura...
Na minha
querida São João, perdidas mas com classe, salto alto, vestidinhos provocantes,
decotes deslumbrantes, corpos ardentes. Elas, não sei por que dietas, se
conservam perfeitas.
Nas
faculdades, nos onibus, nos shoppings, as ditas meninas certinhas perdem de
10 a zero.
Será que é
por não terem concorrencia na corrida para o altar ou para a balada ? Afinal,
elas precisam casar, as adoradas putas não. Não que não queiram, mas por que
suas escolas são outras...
As minhas
queridas meninas da São João, da Nestor Pestana, dos porões do Orion, com
certeza não se entopem de sucrilhos, BigMacs, CocaColas, e outros venenos
quetais.
Quatro da
manhã, um sanduiche de pernil na antiga esquina do Estadão. Quem não comeu uma
lazanha de madrugada no Zero Hora ? Ou não tomou um caldo verde no Salada Record
antes de entrar na noite ?
E eu falo da
verdadeira noite, não dessas baladas à base de vodka, cocaína, cerveja
vagabunda... Ou alguém vai querer me dizer que Sol é melhor que Brahma ? Ices...
francamente.
E as
conversas, então... Uma madrugada dessas tentei, juro, entabular um papo. Coisa
monossilábica, pouquíssimos termos... e quando eu menos espereva, levei um
beijo. Surpreso, questionei a iniciativa.
- Sabe o que
é, a gente soma no fim da noite quantos beijos demos.
Fazer amor,
nem pensar.
Transar, só
se for a sério.
Agora...
trepar, claro, e vamos contabilizar.
Sem contar
que nunca se viu tanto viado na noite. São Paulo está sendo atacada por um
enxame de viados. Jovenzinhos fortinhos, aos abracinhos, em todo o canto.
Viados,
viadinhos e viadões. Carradas deles. Nas ruas, nos metrôs, nos ônibus. Para onde
você se vira, olha lá, tem um viadinho. Sensíveis, sobrancelhas desenhadas,
olhos languidos. Eu já estou de saco cheio de tanto viado.
As meninas
são mais tranquilas, mais discretas. Não dão piti. Mas, enfim, são as chamadas
tribos.
Tudo pela
liberdade. Liberdade para soltar a franga, para soltar as banhas, para dar
gritinhos... Cacete, essa porra de liberdade já está dando no saco
!
Já tem até
jogador viado, olha isso ! Carinha correndo pelo meio de campo com as mãozinhas
caídas, olhar perdido, procurando quem marcar, num corpo a corpo que já não é
mais o mesmo.
Nada contra,
antes que venham me tachar de preconceituoso. Afinal, passarinho que come pedra
sabe o cú que tem.
Vamos
combinar : vocês, franguinhas, fiquem nos Jardins, nos shoppings, mas deixem o
centro em paz.
Se já não bastassem os nigerianos...